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Dutos com óleo combustível atrapalham projeto do estádio do Corinthians

Dutos que transportam óleo combustível e outros derivados de petróleo atrapalham o projeto do estádio do Corinthians em Itaquera. Eles passam sob a área onde o clube, com a Odebrecht, quer construir sua arena.

A Transpetro, empresa de logística e transporte de combustíveis da Petrobras, confirmou que dois dutos operados pela companhia passam naquela área. O CT do Corinthians foi, inclusive, usado como o ponto de referência.

De acordo com imagens do projeto, os dutos passam sob onde estarão parte das arquibancadas, a Folha apurou.

Porém algo chamado de faixa de domínio da Petrobras pode impedir que isso ocorra. A faixa é uma área em que você não pode executar obras, pois isso poderia danificar os dutos da Transpetro.

Outra função da faixa é, no caso de vazamento, proporcionar espaço onde seja possível fazer a manutenção dos dutos sem que esta represente problema a edificações que estejam na proximidade.

Os dois dutos, o OSVAT 22 e o OSVAT-OC 24, ligam São José dos Campos a São Caetano do Sul. De acordo com a Transpetro, a firma "só poderá avaliar o impacto da construção do estádio sobre a operação dos dois dutos após conhecer o projeto da obra".

A Petrobras informou que quem se pronuncia sobre o assunto é a Transpetro.

O Corinthians, porém, alega que já sabia da existência dos dutos e que já conversou com a Petrobras. Explica que o estacionamento é que ficará sobre os dutos, o que estaria "totalmente dentro das normas da Petrobras".

Um conselheiro corintiano afirmou que em reunião do Conselho Deliberativo, Andres Sanchez teria dito algo na linha de que ''ouvi dizer que tem dutos embaixo".

Especialistas da área alegam haver uma série de problemas em potencial advindos da existência dos dutos.

Por conta da idade dos dutos, que datam do fim da década de 70, e o fato de a implantação do estádio aumentar muito o número de pessoas que passarão pelo local, creem que será necessária a reclassificação da área. Na teoria, há grande chance de passar a ser considerada de maior risco do que é hoje.

Segundo esses mesmos especialistas, a existência do duto tem potencial para impedir que sejam usados nas obras os bate-estacas, que poderiam danificá-los. Porém isso encareceria o processo construtivo da arena.

Quanto à necessidade de desviar a rota dos dutos da arena, argumentam que seria uma opção extremamente custosa para a construtora.

Explicam que provavelmente envolveria desapropriações e, consequentemente, uso de verba pública. Isso vem sendo condenada pelas três esferas de governo.

Segundo a assessoria da Secretaria do Meio Ambiente, o Corinthians terá de entrar com pedido de licença ambiental perante a Cetesb, o que ainda não teria sido feito pois o projeto do estádio acabou de ser anunciado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Folha de SP
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